O ato colonizador, a cultura do silêncio, que sobreviveu ao período historicamente denominado como período colonial, se faz perceber também nas escolas, nas salas de aula. Ali também temos aqueles(as) que sobem ao púlpito e têm direito à voz, bem como aqueles(as) que deverão ouvir. Ali também, historicamente, temos a presença de um ensino que segue modelos pretensamente universalizantes, alinhados a uma cultura europeia ou estadunidense. Ali também temos a negação dos homens e mulheres que vêm do Brejo da Cruz e a afirmação dos grupos sociais que historicamente têm acesso à propriedade privada, à fala, ao espaço público. Como em todos os campos da atividade humana, tal perspectiva se faz perceber também nas concepções políticas acerca de patrimônio cultural e no reconhecimento – e na negação – de bens patrimoniais materiais e imateriais. Dessa forma, em que pesem os avanços conquistados nas últimas décadas, há um longo percurso histórico que patrimonializa, que busca proteger e/ou restaurar, conservar os bens materiais e imateriais que contam a história das elites coloniais.
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