O eu lírico, na poesia de Cláudio Guadalupe, opta por dar voz ao negro no contexto de nossa conturbada história, ao mostrar que, nem mesmo a brutal relação senhor versus escravo, foi capaz de suprimir, rasurar ou silenciar, de modo algum, a voz dos escravizados nos quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil, como se pode observar nos versos abaixo:
Nenhum precipício fará com que o povo negro não possa
se armar em quilombos
Nenhum precipício tornará os herdeiros da negritude submissos por alguma dominação
Não, não será um precipício que apagará o rastro libertador dos dançarinos passos
Não, nenhum precipício explicará o ataque feroz da ditadura branca ao quilombo
E Zumbi morto, morto foi esfolado, morto, foi salgada
sua cabeça e exposta ao povo
Mas nenhum precipício apagará a sua passagem
e sua voz será herdada pelos pretos
Nesta terra, Brasil Africano Pindorama, negadora de todas
as dores dos oprimidos.
Professor José Osmar de Melo
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